Festival de dança surpreende turistas e ocupa espaço inusitado no Nordeste

10/13/20252 min read

No último fim de semana, o Beach Park virou palco — e não de brinquedo. Em vez de boias e escorregadores, o que encantou os visitantes foi um espetáculo de dança que tomou conta do parque aquático cearense. Com escolas de diferentes estados e um flashmob sob as águas do Maremoto, o evento mostrou que a arte pode — e deve — ocupar espaços inesperados.

Mais do que uma parceria entre empresas, o que se viu foi uma celebração da cultura em sua forma mais viva: o corpo em movimento, a música pulsando, a troca entre artistas e público. A direção artística de Caio Nunes e a coreografia de Larissa The trouxeram técnica e emoção, mas o que realmente fez brilhar foram os olhares dos visitantes, surpresos e tocados por uma experiência que fugiu do roteiro turístico.

Levar a dança para fora do eixo Rio–São Paulo é mais do que descentralizar: é reconhecer que há talento e sede de cultura em todos os cantos. Soraya Bruna, diretora de um centro de dança no interior do Ceará, resumiu bem o impacto: seus alunos, vindos de um município sem teatro, dançaram diante de centenas de pessoas. Isso não é só bonito — é transformador.

A estrutura do parque ajudou, claro. Mas o mérito maior está na ousadia de colocar bailarinos onde antes só havia turistas em busca de adrenalina. A arte invadiu o lazer, e o resultado foi uma fusão rara entre técnica, emoção e espontaneidade.

O evento já tem nova edição confirmada para 2026, e parte dos bailarinos embarca em abril para uma apresentação na Disneyland Paris. A dança brasileira segue ganhando espaço em palcos internacionais, mas o que realmente importa é o que acontece aqui: quando a arte ocupa o cotidiano, ela deixa de ser exceção e vira parte da paisagem.

O festival em alto-mar, o Magical Dance Cruise, é outro exemplo dessa expansão. Mas o que mais impressiona não são os destinos — é a capacidade de transformar qualquer lugar em palco. Seja em Paris, em Dubai ou no Ceará, o que importa é que a dança continue sendo ponte, encontro e expressão.